Reforma na Saúde passa por primeiro teste no Senado dos EUA

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publicado em 22/11/2009 às 20h12:
Uma grande revisão no sistema de saúde dos Estados Unidos passou por pouco no último sábado (20) pela sua primeira barreira no Senado do país. Os democratas conseguiram 60 votos da base governista para abrir o debate sobre as maiores mudanças do sistema em décadas.

No primeiro teste no Senado os democratas apoiaram de forma unânime a abertura do debate, com a oposição de 39 republicanos. O republicano George Voinovich não votou.

Essa questão é a prioridade interna do presidente Barack Obama.

Os democratas precisavam de 60 votos para a aprovação no Senado, que tem 100 integrantes. Não havia margem para erro, já que o partido controla exatamente 60 votos.

A vitória foi obtida quando os dois últimos membros da base, as senadoras Blanche Lincoln e Mary Landrieu, disseram que apoiariam o requerimento, mas não se comprometeram a apoiar a proposta final sem mudanças.

Lincoln discursou horas antes da votação.

- Acredito que o mais importante é o fato de termos iniciado o debate para melhorar o sistema de Saúde da nossa nação para todos os norte-americanos, em vez de simplesmente levantar o assunto e deixá-lo de lado.

O debate começará em 30 de novembro e deve durar pelo menos três semanas. A Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) aprovou sua própria versão, e as diferenças entre as duas terão de ser unificadas em janeiro, antes de Obama assinar uma medida final.

A proposta de reforma no sistema de Saúde irá expandir a cobertura a milhões de pessoas e barrar práticas como negar assistência para quem tem doenças pré-existentes.




PARA QUEM NÃO VIU

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Médicos cobram para furar a fila da cirurgia de redução de estômago pelo SUS

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EUA
Casa Branca recebe fita rosa gigante em campanha contra o câncer de mama






26/10/2009
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publicado em 26/10/2009 às 11h05:

Organização Mundial da Saúde relaciona uso do celular com câncer
Até hoje não há certeza sobre os efeitos desses telefones sobre o corpo



O uso do telefone celular pode ter relação com vários tipos de câncer, segundo um estudo internacional supervisionado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cujos resultados preliminares foram publicados no último sábado pelo jornal The Daily Telegraph.

Com um orçamento de 20 milhões de libras (R$ 56 milhões), a pesquisa - que durou uma década e será divulgada até o fim do ano - oferece provas de que as pessoas que abusam do celular se arriscam a sofrer tumores cerebrais.

As conclusões preliminares indicam que existe "um risco significativamente maior" de ter um tumor cerebral "relacionado ao uso de telefones celulares durante um período de dez anos ou mais".

O estudo Interphone questionará as garantias que os governos costumam dar sobre a segurança desses aparelhos e aumentará a pressão para que as autoridades de saúde divulguem conselhos mais claros.


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A diretora da pesquisa, a doutora Elisabeth Cardis, professora do Centro de Pesquisa em Epidemiologia Ambiental (Creal) de Barcelona, disse que, apesar da "falta de resultados definitivos, vários estudos, apesar de limitados, sugerem um possível efeito de radiação de radiofrequência" gerada pelos celulares.

– Portanto, estou de acordo, em geral, com a ideia de restringir o uso (de celulares) a crianças, embora não iria tão longe em proibir os telefones celulares, já que podem ser uma ferramenta muito importante.

A especialista também defende "meios para reduzir a exposição" aos celulares, como a utilização de dispositivos handset - que permitem usar o telefone sem usar as mãos - e o uso moderado do aparelho.

Incerteza

Uma porta-voz da Creal em Barcelona diz que o estudo coordenado por Cardis inclui vários dados de cidadãos de vários países, e acrescentou que é um trabalho muito complexo que "só será divulgado no final deste ano".

O estudo Interphone envolveu pesquisas em 13 países e entrevistou 12,8 mil pessoas - entre saudáveis e pacientes com tumores -, para investigar se a exposição aos celulares está vinculada a três tipos de tumores cerebrais e um tumor da glândula salivar.

Pesquisas anteriores sobre os efeitos dos celulares na saúde foram pouco conclusivas, mas o projeto supervisionado pela OMS indica, por exemplo, que seis em oito estudos Interphone revelam um maior risco de sofrer de glioma (o tumor cerebral mais comum).

Um porta-voz da Agência de Proteção da Saúde (HPA) do Reino Unido disse que, "por enquanto, não há provas sólidas" sobre os efeitos nocivos do uso de celulares.

Já um porta-voz da associação de operadores de telefonia celular indicou que mais de 30% dos estudos científicos sobre esse assunto não encontraram nenhum impacto negativo para a saúde.
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publicado em 26/10/2009 às 21h24:

Sobreviventes judeus da Segunda Guerra sofrem mais de câncer

Por David Morgan, da ReutersTexto: WASHINGTON (Reuters) -


Israelenses que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial na Europa têm um risco maior de desenvolver câncer do que os outros judeus, possivelmente por causa das dificuldades enfrentadas no Holocausto, disseram pesquisadores neste domingo (25).

O estudo, publicado no Journal of the National Cancer Institute, indica que estresse ou outros fatores, como as extremas privações, podem ter influído no surgimento da doença.

Os pesquisadores liderados pela dra. Lital Keinan-Boker, da Universidade de Haifa, em Israel, compararam taxas de câncer de dois grupos de judeus israelenses nascidos na Europa: 258.048 que deixaram a Europa depois da guerra e 57.496 que emigraram antes ou durante o conflito.

Ambos os grupos têm incidência mais alta de câncer do que outros grupos étnicos judaicos e não judaicos em Israel.

Mas os pesquisadores descobriram que os judeus que passaram a Segunda Guerra na Europa tinham probabilidade pelo menos 17 por cento maior de desenvolver câncer do que aqueles que partiram antes ou durante o conflito.

Os resultados são importantes, disseram os pesquisadores, porque muitos judeus que sobreviveram à guerra na Europa também foram vítimas do Holocausto - a perseguição sistemática e o assassinato de cerca de 6 milhões de judeus pelo regime nazista da Alemanha e seus colaboradores.

Eles passaram por fome severa, estresse mental e exposição ao frio e a agentes infecciosos.

- Uma possível explicação para as diferenças na incidência de câncer observada entre os vários grupos étnicos judaicos pode ser a diferença em sua exposição específica aos traumas do Holocausto, escreveram Keinan-Boker e sua equipe. "Essas observações podem ter impacto direto na saúde dos judeus sobreviventes da Segunda Guerra Mundial e, portanto, no cuidado que requerem em Israel e em outras partes".

Entre os cânceres mais comuns nos grupos estão o de colo-retal, o de mama e de pulmão.

Os riscos aumentados de câncer foram maiores entre os mais jovens -- os nascidos entre 1940 e 1945. Os pesquisadores disseram que os índices mais elevados entre os jovens sobreviventes da guerra podem indicar que as adversidades do Holocausto elevaram o risco de câncer por terem alterado os padrões hormonais e de crescimento das crianças.

Copyright Thomson Reuters 2009
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publicado em 23/10/2009 às 06h00:
Novas regras para transplantes
de órgãos animam especialistas
Médicos acreditam que anúncio do Ministério da Saúde vai melhorar,
e muito, as condições de captação e o atendimento às crianças

Cláudia Pinho, do R7


Foto por Valter Campanato/ABr
Ministro da Saúde José Gomes Temporão afirma que o governo vai destinar R$ 24 milhões para agilizar o processo de transplante de órgãos
O anúncio do Ministério da Saúde, nesta quarta-feira (21), sobre as novas regras para o transplante de órgãos no país foi muito bem-vindo entre os médicos, principalmente entre aqueles que trabalham diretamente na área.

Para Willian Nahas, chefe do departamento de transplante de rim do Hospital das Clínicas de São Paulo, “isso vai ajudar, e muito, as condições de transplante no Brasil, principalmente entre as crianças”.

A partir de agora, crianças menores de 18 anos passam a ter prioridade na fila de espera e não precisam mais estar em condições graves para fazer o transplante:
- Um privilégio muito importante para elas. É muito difícil manter uma criança fazendo hemodiálise. É um processo desgastante e elas sofrem muito até conseguirem um transplante.

Com a mudança nas leis e o uso de drogas cada vez mais potentes, Nahas acredita que esses pacientes poderão ter uma evolução e um desenvolvimento normais. Pois, quanto mais tarde eles se submetem ao transplante, maiores as chances de terem seqüelas paro o resto da vida.

Outra vantagem citada por Nahas é que com a normatização entre doadores não relacionados, isto é, de não parentes, o doador receberá maior atenção por parte dos médicos. Além da autorização judicial, nessas situações, o caso deverá passar por uma avaliação multidisciplinar no próprio hospital.
- Esse acompanhamento social e psicológico do doador vai impedir que a pessoa aja por impulso ou sob coação, por exemplo. É uma proteção para aquele sujeito que pretende fazer um ato de amor.


José Henrique Andrade Vita, clínico da equipe de transplante da Beneficência Portuguesa, concorda com seu colega. E vai mais longe:
- As mudanças são ótimas, mas acredito que seja importante também um maior investimento em hospitais e UTIs para que doadores e transplantados tenham melhores condições de atendimento.

No seu anúncio, o ministro da Saúde José Gomes Temporão afirmou que o governo vai destinar R$ 24 milhões para agilizar o processo de transplante de órgãos no país, além de aumentar o valor pago às equipes envolvidas nos procedimentos de captação de órgãos.
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Gripe H1N1 é mais grave entre os jovens, confirma o CDC

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Quase um quarto das mortes está ocorrendo entre jovens abaixo dos 25 anos, diz órgão do governo dos EUA
Reuters

Metade dos pacientes hospitalizados com o vírus H1N1 tem menos de 25 anos, uma ilustração clara de que a pandemia está atingindo de maneira desproporcional os jovens, afirmaram autoridades sanitárias americanas nesta terça-feira, 20. De abril a outubro, gripe suína mata 1.368 no País Gripe H1N1 pode matar muito rápido, dizem pesquisadores Gripe H1N1 ainda preocupa por sua imprevisibilidade, diz OMS Segundo elas, dados de 27 Estados americanos mostram que 53% das pessoas hospitalizadas com o vírus H1N1 têm menos de 25 anos, sendo que somente 7% têm 65 anos ou mais. "Isso é muito, muito diferente do que vemos na gripe sazonal", afirmou a médica Anne Schuchat, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), uma agência do Departamento de Saúde americano. "Com a gripe sazonal, cerca de 60% das internações acontecem com pessoas acima dos 65 anos." Ela salientou que os dados estão incompletos, mas disse que, de qualquer maneira, havia uma estimativa para baixo da extensão da pandemia. Uma análise de 292 mortes em 28 Estados americanos mostrou que pessoas mais jovens do que o comum estão morrendo, disse Schuchat. "Quase um quarto das mortes está ocorrendo entre jovens abaixo dos 25 anos. Especificamente, 23,6% dos óbitos estão nesse grupo. Cerca de 65% estão entre pessoas de 24 a 65 anos", afirmou a médica. Somente 12% das mortes ocorrem entre pessoas acima dos 65 anos. Em um ano normal, esse grupo representaria 90% dos óbitos de gripe. Com a proximidade do inverno no hemisfério norte, outros vírus e infecções começam a aparecer, o que torna o cenário confuso.
Schuchat diz que a gripe está sendo diagnosticada em cerca de 30% de todas as pessoas que apresentam "sintomas de gripe", que incluem tosse, dor de garganta, febre e dores. Quase todos os casos de gripe diagnosticados são do tipo H1N1, e não de gripe sazonal. Schuchat afirma que os testes frequentemente falham em detectar o vírus H1N1, logo a porcentagem pode ser ainda maior. Resfriados comuns, que causam inflamações na garganta, além de outras infecções, podem gerar sintomas similares. O governo americano quer vacinar a população contra os vírus H1N1 e da gripe sazonal ao mesmo tempo, tornando ambas vacinas disponíveis à medida que os fabricantes conseguem sua aprovação. Schuchat diz que a vacina para o vírus H1N1 está sendo disponibilizada aos poucos. "Desde ontem, 12,8 milhões de doses foram disponibilizadas aos estados. Mais da metade é da forma injetável. Então isso é útil, nos dá uma variedade de opções", afirmou. Ela disse que os Estados americanos encomendaram 10,8 milhões de doses até o momento. REFERÊNCIA

Vacina sueca contra a aids é a mais promissora

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Uma vacina sueca contra o vírus da aids que mostrou resultados promissores está sendo apresentada em Paris num encontro internacional de especialistas sobre a doença. A vacina ainda está em fase experimental, mas já mostrou eficácia em testes realizados na Suécia e na Tanzânia. Voluntários que receberam doses teriam desenvolvido células que destroem o HIV.

"É realmente um resultado inesperado. A vacina é segura e cria um certo grau de imunidade", diz Britta Wahren, virologista do Instituto Karolinska, da Suécia, um dos cientistas que trabalharam no medicamento.

Os resultados indicam que a vacina sueca apresenta melhores resultados do que a testada na Tailândia e anunciada no mês passado. Esta última reduziu em 31,2% o risco de contaminação. "Esperamos que a nossa vacina aumente este percentual para 50%", diz o cientista sueco Wahren.

O Brasil também está apresentando uma pesquisa sobre vacina contra a aids em Paris. O estudo é feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Trata-se de uma metodologia que está sendo testada apenas no Brasil. O projeto brasileiro tem como foco trechos do HIV que não passam por mutações. Com a identificação desses alvos fixos, o imunizante brasileiro pode chegar a ser mais eficaz do que os que estão passando atualmente pelo crivo dos ensaios clínicos.

O fato de focar em partes do vírus que não sofrem mutações é importante, porque o HIV é extremamente mutante, e muitos medicamentos ou drogas que num momento parecem eficazes, acabando sem efeito quando ocorre uma mutação. REFERÊNCIA

EUA confirmam infecção de suíno por vírus da gripe A

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Seg, 19 Out, 04h33

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, pelas iniciais em inglês) confirmou hoje que um porco foi contaminado por uma variedade da gripe A H1N1, popularmente chamada de gripe suína, só registrada em pessoas. Trata-se da primeira infecção em suínos causada por uma variedade de gripe até então só verificada em humanos nos Estados Unidos.

O secretário americano de Agricultura, Tom Vilsack, declarou nesta segunda-feira que a descoberta não deve afetar o consumo de suínos nos Estados Unidos ou nos países importadores.

"Nós lembramos todos os nossos parceiros comerciais que diversas organizações internacionais, incluindo a Organização Mundial para Saúde Animal, sustentam não haver base científica para restringir o comércio de carne suína e derivados. As pessoas não pegam a gripe ao consumir carne suína", enfatizou.

As informações são da Dow Jones.

Ministério da Saúde altera regras para exame anti-HIV

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O Ministério da Saúde alterou as normas para a realização dos testes anti-HIV, abrindo a possibilidade de envio pelo correio de amostra de sangue coletada com papel-filtro. Com isso, o ministério espera levar o diagnóstico dos centros urbanos às regiões desprovidas de laboratório. Publicadas no Diário Oficial, as novas normas começaram a vigorar sexta-feira (16) nas redes pública e particular de todo o País.

Também foi incluída no rol de exames uma metodologia que utiliza a biologia molecular para detecção do HIV. A tecnologia - que auxiliará o diagnóstico em casos de resultados inconclusivos, principalmente em gestantes - identifica o vírus e não os anticorpos produzidos pelo organismo.
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publicado em 09/10/2009 às 06h35:

Remédio usado para enxaqueca pode tratar vícios
de álcool e cigarro ao mesmo tempo

Médicos da USP verificaram que cerca de 40% dos pacientes do grupo de estudo diminuíram o consumo das duas drogas.

Getty Images
Foto por Getty Images


Pesquisadores da USP descobriram que o topiramato, droga usada para tratar enxaqueca e epilepsia, pode ajudar pessoas a pararem de fumar e beber ao mesmo tempo. Mesmo entre aqueles que não tenham a intenção de abandonar os dois vícios juntos – já que a dificuldade é maior.

O topiramato controla a impulsividade, a ansiedade e age no cérebro bloqueando a ação de uma substância chamada glutamato, relacionada com os sintomas de abstinência do álcool. E isso, pelo jeito, pode ser aplicado também ao tabaco.

O estudo foi feito com 155 homens alcoólicos, entre eles, 103 fumantes. Os dois grupos receberam ajuda para parar de beber e foram divididos em três subgrupos. O primeiro consumiu o topiramato, o segundo, naltrexona (droga indicada para o tratamento do alcoolismo), e o terceiro, placebo (uma pílula feita com amido, sem nenhum princípio ativo).

Os que tomaram topiramato passaram a consumir, em média, 40% menos cigarros. Já os que fizeram uso da naltrexona e da pílula de amido reduziram o fumo em 10%. Para o psiquiatra Danilo Baltieri, coordenador do estudo, a redução de cigarros entre os pacientes do primeiro grupo não pode ser simplesmente relacionada com a diminuição do consumo de bebida – já que pesquisas anteriores mostram que o álcool estimula o tabagismo e vice-versa.
- É tentador teorizar que o topiramato tenha efeitos antifumo entre alcoolistas fumantes e ajude a reduzir o consumo de cigarros entre eles. Mas ainda precisamos ter mais certezas sobre esses efeitos.

Comparando os resultados entre os dois grupos, os pesquisadores constaram também que os fumantes apresentaram um risco 65% maior de recaída em relação ao álcool do que os não-fumantes.
- O álcool e a nicotina atuam juntos. O álcool geralmente é inibidor e a nicotina, estimulante.

Até agora não existe um procedimento padrão para combater os dois vícios simultaneamente. Daí a expectativa do grupo de estudiosos. Para Baltieri, “a possibilidade de que um tratamento farmacológico possa ser desenhado para tratar ambas as condições abre novos horizontes para pacientes e médicos”.

Mas ele alerta para a seriedade do tratamento de ambos os problemas.
- Quem precisa parar com as duas drogas deve procurar um psiquiatra especializado em dependência química. É ele que vai decidir qual a melhor forma de tratamento.

É que o topiramato, assim como qualquer medicamento, pode não surtir os mesmos efeitos positivos em todos os pacientes. Por isso, ele só é vendido com receita médica.

RESULTADO DA ENQUETE- Você adotaria uma criança com HIV?

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Somente 12 pessoas votaram na nossa enquete, sendo que 75% (9 pessoas) disseram que sim, adotariam uma criança com HIV e 25% das pessoas (3 pessoas) disseram que não.
Esperamos maior número de participantes nas próximas enquetes. Comentem também este post, para defender seu ponto de vista sobre adotar uma criança com HIV ou não!
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02/10/09 - 06h30 - Atualizado em 02/10/09 - 11h12



Brasileiros pesquisam droga com potencial para tratar Aids e tumores
Composto 100% nacional foi desenvolvido a um custo de US$ 10 milhões.

Remédio produzido de forma alternativa por pesquisadores brasileiros oferece um novo modelo de baixo custo para o desenvolvimento de fármacos (Foto: Eliana Assumpção/Unesp Ciência)

As multinacionais farmacêuticas costumam propagandear que o custo do desenvolvimento de um novo remédio é da ordem de US$ 800 milhões. Noves fora perdas com fracassos e todo o gasto com marketing colocados nessa conta (que muitos dizem ser, na verdade, a maior parte), ainda é um valor que torna o desenvolvimento de fármacos originais uma atividade praticamente possível apenas às multinacionais de países ricos. Ao menos essa é a noção que se costuma ter.
'P-Mapa' mostrou, em experimentos com animais e estudos preliminares com humanos, ser capaz de reequilibrar o sistema imunológico abalado pelo ataque de tumores, vírus, bactérias ou protozoários, tornando-o mais forte para combatê-los

Uma história bem diferente está sendo contada por um grupo de cientistas brasileiros. De modo alternativo, sem apoio do governo ou da indústria, eles subverteram o modelo tradicional de pesquisa farmacológica e desenvolveram um composto 100% nacional, com potencial para tratar infecções virais (incluindo a aids), não-virais (tuberculose e malária) e tumores, a um custo estimado de US$ 10 milhões.

A diferença impressionante de valor é só o resultado mais prático de um longo processo de persistência, com erros, acertos, diversas portas na cara, desistências e retomadas que se estende desde a década de 1950, quando um médico de Birigui (noroeste de São Paulo) intrigado com fungos começou a testá-los na esperança de encontrar uma cura para o câncer.
Esquema da pesquisa é de rede aberta, similar às plataformas de desenvolvimento de software livre

O trabalho de Odilon da Silva Nunes acabaria levando ao desenvolvimento do P-Mapa, medicamento que mostrou, em experimentos com animais e estudos preliminares com humanos, agir como imunomodulador. Ou seja, ele é capaz de reequilibrar o sistema imunológico abalado pelo ataque de tumores, vírus, bactérias ou protozoários, tornando-o mais forte para combatê-los. Essa habilidade foi confirmada em estudos conduzidos nos NIH (Institutos Nacionais de Saúde), dos EUA.

A pesquisa que começou isolada no laboratório caseiro de Odilon – sozinho ele bancava seus experimentos, o biotério, a fermentação dos fungos –, e por décadas enfrentou resistência das universidades, de agências de fomento e da indústria, hoje reúne cerca de 150 pesquisadores no Brasil (de instituições como Unesp e Unicamp) e no exterior, em um esquema de rede aberta de pesquisa que se assemelha às plataformas de desenvolvimento de software livre. Foi a saída encontrada para driblar as dificuldades de criar um remédio novo em um país sem essa tradição.

Iseu encampou o sonho do pai, Odilon, e

criou a rede que ampliou seus estudos (Foto: Arquivo pessoal)


O que sabemos sobre conhecimento nos mostra que quanto mais colaborativo for o processo de sua produção, maior será o avanço"
A Farmabrasilis, ONG criada por Iseu Nunes, filho de Odilon (morto em 2001), para coordenar a rede internacional de pesquisas, detém a patente do composto e o distribui para os interessados em fazer pesquisa. A droga foi colocada em domínio público, com as descobertas disponíveis a todos. O compromisso assumido pelos cientistas é que assim que todas as fases de pesquisa estiverem cumpridas, inclusive os testes clínicos, e o P-Mapa for aprovado pelas agências regulatórias, a propriedade intelectual e os royalties serão liberados sem custos desde que seja para uso em programas de saúde pública. “A regra é: recebeu de graça, dá de graça. Não é presente para multinacional”, afirma Iseu.

Nesse contexto, a equipe da Farmabrasilis resolveu direcionar as pesquisas para as moléstias que atacam populações mais pobres, as tais doenças negligenciadas, assim chamadas porque não ganham atenção da indústria. Em março deste ano, por exemplo, o fármaco foi apresentado como alternativa para o tratamento de tuberculose no 3º Fórum Mundial Stop TB. “Uma vez que o P-Mapa estimula o sistema imunológico, tomado junto com a medicação padrão pode aumentar sua eficiência, possivelmente também diminuindo a duração do tratamento, que hoje é de seis meses e é um dos fatores para seu abandono”, explica Iseu.

Essa alternativa vem sendo considerada um modelo que poderia ser seguido fora do Primeiro Mundo para solucionar suas carências de medicamentos. A possibilidade foi aventada em um estudo que agora está evoluindo para o doutorado na Unicamp. “O que sabemos sobre conhecimento nos mostra que quanto mais colaborativo for o processo de sua produção, maior será o avanço. Se não há interesse em deter o monopólio, mas em resolver um problema, quanto mais visões diferentes estiverem contribuindo, as chances de encontrar soluções criativas serão muito maiores”, afirma Lea Velho, professora do Departamento de Política Científico-Tecnológica e orientadora da pesquisa do jornalista Carlos Fioravanti.

“A descoberta do P-Mapa, a pesquisa sobre seus efeitos e seu desenvolvimento revelam como a produção de ciência em um país em desenvolvimento funciona ou poderia funcionar. (Mostram) que a descoberta e o desenvolvimento de medicamentos podem ser feitos em outro ambiente que não os estritamente controlados e dotados de recursos materiais e financeiros quase ilimitados das empresas farmacêuticas”, escreve o pesquisador em trabalho feito em 2007 na Universidade de Oxford. Fleming brasileiro Para entender a importância da história do P-Mapa vale a pena voltar ao seu início, em 1954, quando o então jovem Odilon, recém-formado em Medicina na Universidade Federal do Paraná, voltou para sua cidade e iniciou as pesquisas. O interesse por fungos vinha da infância, quando ele observou funcionários da fazenda de café do pai curando feridas quando colocavam fungos sobre elas. A partir disso, passou a colecioná-los em qualquer lugar onde eles crescessem: madeira podre, pedaços de queijo, sangue. Depois preparava uma mistura e cobria ferimentos de animais com eles. Isso continuou até antes de ele ir para a faculdade, quando já tinha percebido que alguns fungos combatiam infecções e eram cicatrizantes.


Por ser médico, ele privilegiava os trabalhos com seres vivos e, ao selecionar fungos que produziam extratos que ao mesmo tempo atuavam no câncer e não matavam os animais, chegou a um imunomodulador de amplo espectro de atuação e com baixa toxicidade"
Na volta a Birigui, a brincadeira de menino ganhou um objetivo. Odilon queria achar uma cura para o câncer. “Ele tinha uma teoria de que a doença surgiria por conta de um desequilíbrio iônico nas células e que seria possível combater a doença restabelecendo esse equilíbrio. Ele não conseguiu provar isso, mas essa ideia serviu como ferramenta para começar a desenvolver o produto”, conta Iseu.

O médico acreditava que o tumor teria uma carga negativa, de modo que um composto com carga positiva corrigiria o problema. Para ele, uma proteína que se ligasse a um metal, como o magnésio, poderia desempenhar esse papel. Sem ter formação em Química, deduziu que a melhor forma de obter uma substância assim era colocar os fungos para trabalhar para ele, “fazendo o papel de ‘químicos naturais’”, explica o filho. Na época, o único câmpus da região ficava em Araçatuba, a 15 km de Birigui, da Faculdade de Odontologia, posteriormente encampada pela Unesp. Ali Odilon entrou em contato com o patologista Celso Martinelli, que tinha interesse por câncer e o ajudou a estabelecer parâmetros científicos.



Iseu encampou o sonho do pai, Odilon, e criou a rede que ampliou seus estudos (Foto: Arquivo pessoal)
Era o início de um longo trabalho em busca de um composto que pudesse atacar células tumorais sem afetar as saudáveis. No fundo de sua casa, Odilon mantinha um biotério com cerca de 30 camundongos inoculados com linhagens tumorais, onde experimentava o material. Ao longo das experiências, Iseu, que cresceu cuidando de camundongos, estima que foram testados mais de mil extratos.

Com o tempo ele isolou um extrato que reagia bem com magnésio e aparentemente causava a regressão de tumores e não era tóxico, uma vez que os animais tratados continuavam saudáveis. Em 1973, ele conseguiu extrair cristais puros do composto produzido a partir da fermentação do fungo e o chamou de SB-73 (SB de Streptomyces brasiliensis, o nome que ele deu para o fungo que estava usando).

Na sequência o produto foi usado para tratar cachorros com parvovirose, durante epidemia que ocorreu nos anos 1980. Cerca de 250 animais foram medicados, com uma taxa de recuperação de 95%. Galinhas com o vírus newcastle também apresentaram 100% de recuperação após serem tratadas por quatro dias com o remédio. Também obteve bons desempenhos com a regressão de cânceres e não conseguia entender como uma droga podia agir contra doenças tão diferentes.
Trabalho começou em 1954 em laboratório caseiro no interior de São Paulo
A grande sacada de Odilon, provavelmente não intencional, foi testar os extratos de fungos em camundongos com tumores, em vez de aplicá-los em placas de cultura de bactérias.

“Se ele fosse um químico, teria talvez chegado a um medicamento citotóxico, pois teria sido mais fácil trabalhar com experimentos in vitro. Por esse caminho ele teria selecionado fungos que matassem tumores em placas, porém com alta toxicidade. Por ser médico, ele privilegiava os trabalhos com seres vivos e, ao selecionar fungos que produziam extratos que ao mesmo tempo atuavam no câncer e não matavam os animais, chegou a um imunomodulador de amplo espectro de atuação e com baixa toxicidade”, conta Iseu. “Odilon não era um maluco no fundo do quintal, nem um pajé. O que ele fazia não tinha nada de acaso. Ele tinha método científico”, defende.

Odilon, no entanto, não conseguia ir adiante. Mesmo tendo o método, ele não falava na linguagem da ciência (ele dizia que não queria ficar amarrado à burocracia dos cientistas). Como escreve Fioravanti em seu trabalho, o “erro estratégico” de Odilon foi não ter publicado nada e permanecido em silêncio por décadas. Quando procurava universidades ou indústrias químicas na região de Birigui, não era bem recebido, uma vez que só levava na mão “um pó branco e imagens de camundongos curados”. Era visto sem credibilidade.

Desde a Segunda Guerra Mundial, a penicilina, também obtida a partir de um fungo, ganhava o mundo, e Odilon via no médico Alexander Fleming, descobridor da substância, um “modelo de persistência”, como conta Iseu. O inglês também enfrentou o ceticismo da academia, e sua pesquisa só foi para a frente após receber o apoio de Howard Florey e Ernest Chain, da Universidade de Oxford, que publicaram os achados e sistematizaram sua produção. Também havia ali um quesito “necessidade” chamado guerra. Infecções estavam matando mais os soldados que o combate em si, e os Estados Unidos tinham interesse em financiar pesquisas de novas drogas. Tanto que foi lá, e não na Inglaterra, que a penicilina realmente se desenvolveu e virou remédio.

Alianças e a aids
Em meados da década de 1980, Iseu tinha acabado de se formar em Administração de Empresas na Fundação Getulio Vargas quando foi chamado de volta a Birigui. Odilon pedia ajuda. “Eu disse que tínhamos de procurar uma universidade, e ele riu: ‘Você é um gênio mesmo. Só que eu estou procurando uma universidade há 20 anos’. Apesar do sarcasmo, me deixou tentar”, conta Iseu.


Estávamos pesquisando em um deserto absoluto"
Ele resolveu procurar a Unicamp para fazer a caracterização do composto. Pediu a seu pai que escrevesse um artigo com os resultados e o levou com amostras e fotos. “Perguntei quem poderia fazer a análise química e soube do Nelson Durán”, lembra. O chileno radicado no Brasil se empolgou com a história e concordou em participar voluntariamente. Não havia aqui um envolvimento da instituição, mas do pesquisador. Ele enviou o composto para o Chile para analisá-lo e entrou no time da família Nunes.

Juntos, Iseu, Durán e Odilon criaram uma ONG em 1987 para impulsionar a pesquisa, o embrião do que seria a Farmabrasilis anos depois. Mesmo depois de caracterizado, o composto teria de passar por muitas fases que eles sozinhos não teriam como desempenhar. E não havia no país estrutura formal de desenvolvimento de fármaco, então começaram a procurar parceiros. “Não tínhamos dinheiro, não havia projeto oficial que bancasse esse tipo de pesquisa, a indústria nacional não investia nisso, a multinacional também não porque o Brasil não reconhecia patente, então estávamos pesquisando em um deserto absoluto”, afirma Iseu. “Concluímos que se chegássemos ao final de um produto farmacêutico, sabe-se lá quando, teríamos criado competência no desenvolvimento de fármaco no país.”

Nos anos seguintes eles atrairiam dezenas de pesquisadores. “Esse modelo de estrutura mostrou que é possível se tivermos gente competente disposta a trabalhar. Fazer o bem é uma grande estratégia de convencimento. Criamos uma rede quando não existia a ideia de rede”, complementa Durán, diretor-científico da Farmabrasilis.

De volta à Unesp, em 1990, conseguiram confirmar a baixa toxicidade do composto com testes com animais do Núcleo de Procriação de Macacos-Prego, câmpus de Araçatuba. “Foram aplicadas nos macacos doses cem vezes maiores que as previstas para uso em humanos e os animais não tiveram efeito colateral. Toda droga é tóxica, mas essa é bem pouco”, afirma o anatomista José Américo de Oliveira, coordenador do núcleo.

A fase pré-clínica foi fundamental para que o grupo alcançasse seus principais resultados no ano seguinte, com pacientes com aids. Naquele momento a epidemia explodia, só existia o AZT e o país ainda não o importava para o sistema de saúde. Era a “necessidade” que o remédio de Odilon precisava.


A encrenca ficou gigantesca, as pessoas vinham pedir o remédio. Acabamos fechando as portas"
Um grupo de médicos do Centro Corsini, em Campinas, que cuidava de pacientes com o vírus da aids, se interessou pelo composto. “Como não era tóxico e naquela época aids era sentença de morte, foi feito um limitado ensaio clínico com 25 pacientes”, explica Iseu. Os resultados foram “notáveis”, lembra ele. O nível de células T-4, destruídas pelo vírus, voltou a subir, os pacientes ganharam peso e as infecções oportunistas desapareceram.

Apesar dos resultados, a aids não foi a “Segunda Guerra” do P-Mapa. Os governos estadual e federal, apesar de terem mostrado interesse inicialmente, não deram cabo ao desenvolvimento, decidindo por fim importar o AZT. A indústria continuou ausente e os pesquisadores não conseguiram evoluir para a fase 2 de testes clínicos. Nessa altura, no entanto, o composto tinha ganhado a imprensa, o que foi o caos, lembra Iseu. “A encrenca ficou gigantesca, as pessoas vinham pedir o remédio. Acabamos fechando as portas.”

P-Mapa global
O impacto foi tamanho que a rede se desmantelou, e as pesquisas, se não chegaram a parar totalmente, rarearam bastante. Só voltariam a deslanchar anos depois, quando Iseu e Durán criaram a Farmabrasilis, em 2000, e ampliaram o efeito da molécula. “Decidimos abrir de vez a pesquisa, não mais contar com indústria, com governo, com ninguém”, afirma Iseu.
Hamsters que foram inoculados com câncer e tratados com P-Mapa praticamente não desenvolveram a doença

Organismos internacionais se interessaram e passaram a bancar as pesquisas, em especial os NIH. Foi com eles que se comprovou o mecanismo de ação do medicamento, já evoluído e batizado como P-Mapa. Os testes mostraram que o composto induz as células imunológicas a produzirem moléculas conhecidas como interferon-gama, que apresentam atividades antitumorais e antivirais. “O P-Mapa é um modificador de resposta biológica, podendo aumentar ou diminuir a resposta do sistema imunológico que esteja deficiente em alguns mecanismos”, explica Durán.

Um dos resultados mais promissores foi apresentado recentemente em um trabalho conduzido no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA (Niaid, na sigla em inglês) e publicado na Antiviral Research. O estudo foi feito com camundongos infectados com o letal Punta Toro Virus, que destrói o fígado do portador.

O desempenho do P-Mapa foi comparado com o Ribavirin, medicamento mais comum usado contra hepatite C. Ambos foram eficazes em manter 100% dos animais vivos, mas o composto brasileiro foi aplicado em dose única, 24 horas após a infecção, enquanto a droga padrão começou a ser aplicada 4 horas antes e foi injetada ao longo de cinco dias.

Para Iseu, os dados são promissores porque podem trazer uma alternativa para o tratamento de hepatite C. “Se o P-Mapa revelou-se tão bom quanto o Ribavirin, os dados permitem pensar que no futuro ele pode ser proposto para uma utilização conjunta de tratamento da doença”, diz. Há duas vantagens. O Ribavirin é administrado junto com interferon exógeno, que atua como imunomodulador, mas apresenta efeitos tóxicos. O P-Mapa aplicado como adjuvante poderia reduzir as doses dos dois remédios, diminuindo os efeitos indesejáveis e também o custo.

Na Unesp, três estudos estão sendo conduzidos pela equipe de Renata Callestini Felipini, da Faculdade de Odontologia de Araçatuba, que foi aluna de Celso Martinelli e desde a graduação queria estudar o P-Mapa. A patologista bucal busca o efeito da droga em outras doenças: diabetes, osteoporose e câncer bucal. Os resultados obtidos até o momento são promissores.

Os hamsters que foram inoculados com câncer e tratados com P-Mapa praticamente não desenvolveram a doença, em comparação com o grupo controle. A ideia era checar se o medicamento seria capaz de evitar o surgimento da doença, então ele foi aplicado ao mesmo tempo em que a substância carcinogênica. Após 22 semanas, os animais medicados ou não desenvolveram nenhum tumor visível ou tiveram uma doença bem menos agressiva que o grupo controle. Ainda falta avaliar as modificações microscópicas.


É possível fazer quando se tem vontade, sem melindres. Afinal, ciência não tem quintal. O conhecimento não é meu"
Nos ratos em que foi induzida a diabetes, a droga foi aplicada após uma semana, e os resultados iniciais apontaram uma redução significativa do nível de glicemia. “Se extrapolássemos para humanos com diabete tipo 1, que aplicam insulina, por exemplo, de três a cinco vezes por dia, a redução poderia levar a uma diminuição da dosagem”, explica Renata. O resultado sugere que o P-Mapa pode ter outros mecanismos de ação. Como o composto atua no organismo, em vez de na doença (a melhora observada é indireta), as aplicações podem ser as mais variadas.

Um dos problemas da diabetes é que ela causa alterações no processo inflamatório e reparatório, prejudicando a cicatrização, o que torna complicada, por exemplo, uma cirurgia odontológica. Os pesquisadores querem checar agora como fica esse processo após a extração de um dente. “As células que fazem a reparação são células de defesa, então vamos ver se um imunomodulador pode ajudar.”

Assim como a rede global do P-Mapa, ela própria coordena uma minirrede no câmpus para pesquisar em tantas frentes. “É possível fazer quando se tem vontade, sem melindres. Afinal, ciência não tem quintal. O conhecimento não é meu, é nosso.”

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